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Além dos pneus; entenda o Guia Michelin e o roteiro da gastronomia

O Guia Michelin foi desenvolvido pelos irmãos Edouard e André Michelin, que fundaram a empresa fabricante de pneus de mesmo nome. Esse guia serve como uma das maiores referências em avaliação gastronômica no mundo, elencando os melhores restaurantes com base na experiência culinária oferecida, ambiente e atendimento ao cliente.


Guia Michelin Brasil

Muitas pessoas se perguntam qual a correlação entre uma empresa de pneus e o mundo da gastronomia, mas a criação do Guia Michelin se deu em 1900, onde existiam menos de 3 mil carros no país. Como uma forma de incentivar as pessoas a viajar e, consequentemente, comprar mais pneus, os irmãos Michelin inventaram um guia de viagens com informações úteis para planejar a viagem.


Veja o que você encontrar sobre o guide Michelin:


Como o Guia Michelin se tornou uma referência mundial em gastronomia

O primeiro Guia Michelin foi distribuído de maneira gratuita em oficinas e outras lojas de reparos, onde motoristas podiam adquiri-los facilmente e contava com uma série de informações práticas. Quais lugares poderia abastecer durante uma viagem (postos de gasolina não eram tão comuns naquela época quanto hoje), hotéis, mapas e, claro, uma lista de restaurantes.


Eventualmente, o manual migrou de um modelo gratuito para um guia pago, baseado no princípio de que só seria percebido como um produto valioso se tivesse custo a ser investido. Para justificar o preço do Guia Michelin, passou a ser mais completo, contemplando uma lista de restaurantes em Paris, de diferentes culinárias e categorias de preço, também excluindo anúncios pagos das páginas. Por conta disso, se mostrou uma excelente fonte de informação em relação às cozinhas parisienses graças ao seu conteúdo bem apurado e viés neutro (dada a falta de anúncios pagos).


Com o crescente reconhecimento e influência do Guia Michelin no meio gastronômico, foi recrutada uma equipe de avaliadores anônimos, ou inspetores de restaurante, que tinham como função visitar diferentes estabelecimentos a fim de julgar a experiência oferecida pelo restaurante de forma oculta e assim entregar uma avaliação imparcial. Embora esse modelo tenha começado em Paris, na França, a notoriedade do guia e do método se espalhou mundialmente, transformando as avaliações do guia em uma diretriz muito conceituada e prestigiada entre chefs e cozinheiros de todo o mundo.


Inicialmente, os restaurantes com pratos exemplares e alto nível de sofisticação gastronômica recebiam uma estrela Michelin como sinal de uma excelente experiência. Depois de alguns anos, esse sistema de hierarquização adotou um modelo de zero, uma, duas ou três estrelas, bem como parâmetros e critérios de avaliação publicamente divulgados e há muito tempo vem sendo um padrão de excelência adotado por estabelecimentos mundialmente. 


Quais os critérios de avaliação para conquistar uma estrela Michelin

Os avaliadores anônimos do Guia Michelin assumem um papel muito importante na classificação dos restaurantes, uma vez que é a experiência deles o critério de avaliação com maior peso. Nessas visitas, serão avaliados critérios como a qualidade dos ingredientes e do prato, a harmonia dos sabores, a personalidade do chef, a regularidade da cozinha e o custo-benefício do estabelecimento de maneira geral. Justamente por isso é importante que os avaliadores não denunciem que a visita deles será parte de uma avaliação, para que as operações cotidianas e o atendimento regular do restaurante seja levado em consideração, ao invés de um caso específico.


A avaliação final é dada entre nenhuma, uma, duas ou três estrelas e, embora muito renomadas dentro do meio gastronômico, as definições de cada pontuação são bastante subjetivas. Segundo a própria Michelin, um restaurante de uma estrela é um que “vale a visita”, enquanto o restaurante de duas estrelas “vale fazer um desvio na viagem para conhecê-lo” e um restaurante de três estrelas “vale planejar uma viagem para conhecer”.


Os critérios de conforto, luxo e excelência do Guia Michelin sempre foram muito pautados na alta gastronomia francesa, mas com o alcance global do guia, ele tem adotado critérios mais regionais para se adequar a cultura de cada região, especialmente de países mais distantes ou com costumes únicos. 


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Restaurantes com estrela Michelin no Brasil

O Brasil já teve vários restaurantes avaliados pela equipe anônima do Guia Michelin, mas poucos deles conseguem receber uma das cobiçadas estrelas dos avaliadores. Atualmente só existem 14 restaurantes com pelo menos uma estrela e todos eles estão localizados entre Rio de Janeiro ou São Paulo. Três desses restaurantes contam com duas estrelas Michelin e nenhum restaurante brasileiro foi condecorado com a terceira ainda. Os três com melhor avaliação são:


D.O.M: A cozinha é dirigida pelo chef Alex Atala, que prepara e reescreve pratos com ingredientes inovadores, atendendo os padrões da alta gastronomia para entregar sabor único. Esse é o único restaurante de São Paulo dentre os três com melhor pontuação e conta com um cardápio diverso, contemplando a culinária brasileira e das suas várias regiões.


Oteque: Restaurante localizado no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro e conta com a expertise do chef Alberto Landgraf. O Oteque trabalha com um menu degustação, que é montado de acordo com a disponibilidade e sazonalidade dos ingredientes. Isso acontece com o objetivo de manter qualidade impecável na montagem dos pratos e garantir uma experiência gastronômica única e de alto nível, portanto, oferece uma experiência bastante volátil, mas uma qualidade impecável. 


Oro: O outro restaurante carioca entre os três mais qualificados do Brasil é o Oro, que fica no bairro Leblon. O chef Felipe Bronze é responsável por oferecer um menu degustação único, misturando a culinária brasileira com a culinária moderna para atingir um alto nível gastronômico. Da mesma maneira que o Oteque, também oferece uma degustação de diferentes pratos e sabores conforme a sazonalidade e disponibilidade dos ingredientes, que são de alta qualidade. 


Como o Guia Michelin influencia o marketing e o turismo dos destinos gastronômicos

O guia Michelin é uma das primeiras ferramentas de marketing de conteúdo disponíveis, principalmente quando falamos de pneus e automóveis. É uma peça importante para o turismo de uma região, ajudando a divulgar a culinária local e os costumes, com o objetivo de trazer mais visitantes para a região. Também é muito importante para o mercado gastronômico, proporcionando competitividade entre restaurantes e entregando um marco de excelência para ser atingido, uma vez que acumular recomendações e estrelas no guia traz enorme reconhecimento para o chef e para o restaurante, sendo um indicativo forte de sucesso profissional nesse ramo.


Através das análises do guia, são gerados empregos em diferentes setores. Auxiliares de cozinha, na equipe de atendimento e em toda a rede de fornecedores, que precisa se mostrar a altura dos estabelecimentos fornecidos para que seja possível alcançar consistentemente o nível da alta gastronomia. Por conta disso, o impacto do Guia Michelin em uma região pode ser sentido em diferentes escalas e esferas, principalmente quando falamos sobre pneus, que foi o objetivo original dos irmãos Michelin em 1900.


Ao incentivar viagens, é necessário preparativos para dirigir na estrada com segurança, abrindo margem para uma revisão ou troca dos pneus. Essa é uma estratégia que funciona há mais de 100 anos, considerando o reconhecimento da Michelin no mercado e a alta qualidade dos seus produtos. 


Origens e curiosidades do Guia Michelin

Um sucesso, o Guia Michelin é uma tradição centenária da empresa responsável por pneus, que movimenta todo um mercado e cria uma demanda pelo produto principal da Michelin. Com tantos anos de história, o Guia Michelin conta com várias curiosidades interessantes, conheça algumas:


  • Durante as guerras mundiais, ele foi suspenso por questões éticas e de segurança também (não era seguro ou possível viajar nesse período).

  • Já houve casos polêmicos envolvendo o Guia Michelin ao se recusar a dar estrelas a restaurantes específicos ou retirar estrelas de outros restaurantes também. 

  • Existem versões do Guia Michelin inspirada em países fictícios, como a Wakanda, do filme Pantera Negra.

  • Além das estrelas Michelin, existe outra classificação nos guias, que é a categoria Bibs Gourmand, onde seleciona restaurantes com base na relação custo benefício. Essa categoria leva a imagem do mascote da marca, o Bib, como distinção. 



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